O Banco Central divulgou na terça-feira (27/10) o Relatório de Estabilidade Financeira do primeiro semestre de 2026 e repetiu a avaliação de que não há risco relevante para a estabilidade financeira: o sistema segue com capital e liquidez confortáveis, provisões adequadas às perdas esperadas e resultados positivos nos testes de estresse. Pesquisa do BC citada no relatório mostra que 73% das instituições consultadas estão muito ou totalmente confiantes na resiliência do sistema.
O documento registra, porém, que o comprometimento de renda das famílias chegou ao nível mais alto em 21 anos, com impacto maior sobre os tomadores de menor renda e forte peso das modalidades mais caras. Os ativos problemáticos do crédito às famílias atingiram o maior nível desde 2012 na maioria das modalidades, e o BC afirma que a inadimplência teria subido mesmo sem a mudança nas regras de baixa a prejuízo de 2025. As estimativas de probabilidade de default indicam pressão contínua no segundo semestre, também no crédito a micro, pequenas e médias empresas. O cartão de crédito é apontado como a modalidade em que persiste maior propensão a risco.
Na parte dedicada ao Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), que manteve o adicional contracíclico de capital em 0% nas reuniões de maio e agosto, o relatório diz que o BC prepara medidas para mitigar os riscos da participação de modalidades mais caras na dívida das famílias. No sumário, o BC informa que estuda medidas macroprudenciais voltadas a segmentos de crédito de maior risco, sem detalhá-las. A ampliação da exposição de consumidores de menor renda a ofertas digitais é citada como fator do endividamento; as Resoluções BCB 601 e 602, publicadas no DOU de 26/10, tratam do painel de dívidas e das ofertas de crédito (nota de 27/10).
O relatório também alerta que parte relevante das instituições, com pouca representatividade em ativos, poderá precisar de reforço de capital ou de outros ajustes para cumprir os mínimos da nova metodologia de capital mínimo nos prazos previstos. A rentabilidade do sistema recuou no semestre, com queda mais intensa nas instituições de controle público por causa do crédito rural e pessoal. Os temas especiais desta edição incluem consignado privado, endividamento das famílias, responsabilidades em arranjos de pagamento e incidentes cibernéticos.